No dia 2 de setembro, o Senado aprovou a PEC 66/2023, que traz mudanças importantes nas regras dos precatórios no Brasil. A votação foi ampla: 71 senadores votaram a favor e apenas 2 contra. Na prática, a PEC permite que Estados e Municípios paguem suas dívidas judiciais em parcelas, tira os precatórios federais da regra fiscal a partir de 2026 e muda o índice de correção dos valores. Resultado: quem espera receber precatório vai demorar mais e ainda receber menos, em termos reais.
Para advogados, isso é preocupante. Precatórios e RPVs são uma das principais fontes de honorários, e as novas regras podem bagunçar o planejamento financeiro dos escritórios.
Relembrando: o que são precatórios?
Precatórios são ordens de pagamento que a Justiça emite quando alguém ganha uma ação contra o governo (seja União, Estado ou Município). O problema é que a fila é enorme: pode levar anos ou até décadas para receber
Em 2021, houve uma tentativa de parcelar esses pagamentos com a PEC 113, mas o STF derrubou a ideia e mandou pagar tudo a partir de 2024. Agora, a PEC 66 retoma parte desse modelo, trazendo de volta a insegurança.
O que muda com a PEC 66
A nova regra traz pontos principais:
- Parcelamento das dívidas: governos podem alongar ainda mais os pagamentos.
- Limite de gastos: só precisam reservar até 5% da receita anual para pagar precatórios.
- Mudança na data de corte: precatórios expedidos depois de 1º de fevereiro entram no orçamento só dois anos depois, sem juros nesse período.
- Correção menor: o valor será atualizado pelo IPCA + 2% ao ano. A SELIC só entra se for menor que esse cálculo. Isso reduz o ganho de quem espera.
- Saída do teto fiscal:a partir de 2026, os precatórios federais ficam fora da meta fiscal, o que facilita novos atrasos.
Impactos para advogados e credores
Essas mudanças trazem três consequências diretas:
- Maior tempo de espera: a fila de pagamentos vai aumentar.
- Menor valor no final: a nova correção paga menos do que a SELIC.
- Maior incerteza: regras que já tinham sido consideradas inconstitucionais voltam de outra forma.
Para advogados, isso significa caixa apertado, atrasos no recebimento de honorários e dificuldades para planejar o futuro.
O que fazer diante disso?
Para não depender só da espera do governo, escritórios podem adotar algumas estratégias:
- Planejar o fluxo de caixa: criar reserva financeira e se preparar para atrasos.
- Diversificar receitas: não depender apenas dos precatórios
- Antecipar créditos: transformar precatórios em dinheiro hoje, por meio de operações seguras.
Conclusão
A PEC 66 mostra que o tema dos precatórios continuará instável. Para advogados, significa que contar apenas com esses pagamentos é um risco. Planejar com antecedência, buscar alternativas de receita e cuidar do caixa são passos essenciais para não ser pego de surpresa.
Em resumo: quem espera demais pode sair perdendo.